quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Namoro x Amigos





Depois que abandonam o mundo das bonecas e partem para o mundo dos homens algumas mulheres (e não são poucas) adotam um determinado parâmetro que influencia diretamente nas suas condutas: estou solteira ou estou comprometida?

Todo mundo atravessa essas duas fases da vida pelo menos uma vez.

Ok, passar por elas só uma vez não tem graça, afinal, isso faz parte da curtição. Existe ainda gente que gosta tanto disso que se recusa a realizar o ciclo da vida (nasce, cresce, reproduz e morre, lembram?) e vivem oscilando entre a solteirice e os rolos, namoros, casamentos e outras associações análogas.
Mas a questão dolorosa aqui é justamente a fase de transição.

Quando se está solteira é aquela festa. Vai chegando a quinta-feira e o celular fica saltitando dentro da bolsa. É torpedo de amigo, de amiga, de prima, de rolo, de possível rolo, da vivo avisando para você recarregar e falar mais não sei quantos minutos...uma badalação só.

Na sexta você já tem sua agenda programada (manicure, depiladora, encontrar a galera tal no bar X e de lá encontrar uma outra galera no bar Y e por aí vai).

Sábado é a mesma coisa ou pior. Celular tocando horrores, janelinhas saltitando no msn e você resolvendo com quem vai, onde vai, se dá tempo de fazer um esquenta na zona norte e estar na balada antes da meia-noite na zona sul (e é claro que é humanamente impossível).

No domingo, existem três opções: 1. ficar de ressaca o dia todo jurando que nunca mais vira uma tequila sequer nos próximos 100 anos; 2. não ficar de ressaca (afinal você segue sua dieta a risca ou não gosta de beber mesmo) e ficar de bobeira em casa, fazendo hidratação no cabelo, zapeando a televisão sem assistir um único programa do discovery até o fim, ou 3. fazer um programinha ligth com os amigos num parque ou cinema e contar as fofocas e melhores momentos do fim de semana.

Também acontece de passar por aqueles finais de semana que você se sente menos que nada. Ninguém te liga. O msn está vazio. O único torpedo que chegou na sexta foi o da vivo mesmo. Nem as meninas da CF estão postando na comunidade!

Então você pensa: está todo mundo feliz por aí e eu aqui ainda de pijama. Nessas horas é muito fácil atacar um potão de sorvete ou caçar desesperada na dispensa uma mísera latinha de leite condensado para fazer brigadeiro e comer a panela inteira na colher.

Nessas horas você só enxerga que estar solteira é bom demais, mas às vezes estar namorando é melhor ainda.

Então você sossega e começa dar mais atenção para aquele seu rolo, ou então conhece um cara novo que é tudo de bom e plim! Cá estamos de volta no time das comprometidas.

Aí é aquela festa de e-mails, telefonemas, torpedos e similares. Estão os dois lindos, felizes, trabalhando e morrendo de saudades por que não se vêem durante a semana.

E na quinta-feira seu celular volta a saltitar. Seus mil amigos te chamando para sair, aquele cara que fez você colocar o pobre Santo Antonio de ponta cabeça dentro do freezer liga querendo saber o que você vai fazer na sexta. E AGORA?

Agora você está namorando, OTÁRIA.

Mas tudo bem, essa sensação melhora quando você pensa no seu namorado novinho em folha e em tudo que vocês dois farão no final de semana.

Oooops! O que vocês dois farão no fim de semana é totalmente incompatível com os planos da galera. “Tudo bem, encontro o pessoal no próximo. Esse findi vou ficar com o Fulaninho”.

E você vai lá, desmarca com seus amigos, ouve uns xingamentos e brincadeiras a respeito da sua nova “coleira” e fica torcendo para que eles te entendam.

E a história se repete por mais alguns finais de semana até que seus amigos desistem e não te ligam mais.

Você não tem mais vontade de pular de bar em bar na sexta para conseguir encontrar todos os seus amigos, de se acabar numa balada que vai até às dez da manhã do domingo, de beber todas e cambalear pela rua até o metrô abrir ou de esgotar todas as suas energias no sábado à noite e dormir o domingo inteiro.

Você quer encontrar seus amigos, lógico. Mas você também quer ficar com seu namorado no sábado a noite fazendo coisas mais interessantes (não preciso ser mais explícita né?) ao invés de dançar ao som de música eletrônica frenética, em um lugar com luzes piscando e homens que pensam que estão numa feira e te puxam pelo cabelo ou vem com aquela mão pegajosa e supostamente delicada para cima de você a caminho do banheiro lotado e imundo.

Não parece possível e nem desejável levar o mesmo ritmo de vida aos finais de semana que levava quando solteira.

Você vai furar com seus amigos ou vai aparecer a contragosto só para não fazer feio e sair antes de todo mundo para não pegar a fila no motel. Você não vai mais fazer passeios de índio porque pode passar seu domingo chuvoso em casa assistindo milhares de dvds e comendo o mesmo pote de sorvete, só que agora acompanhada. Você até sai sozinha com eles de vez em quando mas já não tem tanto dinheiro para gastar, afinal, namoro acarreta um prejuízo considerável (e lá vem mais depilação, roupas, lingerie, brincos, pulseiras, sapatos que combinem com as roupas novas, perfume, presente e o escambau).

Esse post de hoje é mais um desabafo.

É muito difícil namorar sem ser ingrata com aqueles que preencheram sua vida e te trouxeram alegria quando você estava solteira.

Você precisa conciliar os momentos a dois, os passeios com os seus amigos e com os amigos dele. Fora isso, tem os momentos em que precisamos olhar para nossa própria vida, para os estudos, para o corpo, para o trabalho.

Seria ótimo que seus amigos entendessem que suas melhores oportunidades surgem de última hora e não se sentissem simplesmente como segunda opção.

Sou uma pessoa passional e dependente dos meus relacionamentos, admito. Mas mesmo que não fosse...

Faz parte do ciclo da vida procurar e encontrar o outro. Nosso instinto de reprodução clama por um parceiro. Evidente que nas relações humanas a reprodução em si fica renegada mas os relacionamentos nos trazem satisfação física e emocional.

A tarefa de adaptar seu conto de fadas à vida real não é fácil. Ainda mais porque sabemos que se o seu castelo ruir, quem vai ajudar a recolher os escombros são eles, aqueles que tanto reclamaram quando você desapareceu.








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Postado por
Mel


às
10:43












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