"O que eu mais queria era provar pra todo mundo
que eu não precisava provar nada pra ninguém".
que eu não precisava provar nada pra ninguém".
Quando eu tinha 16 anos, desfilava nos corredores da escola com calças folgadas e um palmo da calcinha aparecendo... Eu dizia que não precisava provar nada para ninguém! Mas, obviamente, eu precisava provar que era diferente daquele cambada de patricinhas. Mas provar como? Com roupas diferentes, compradas também num shopping e frequentando uma escola com uma mensalidade exorbitante?
Morro de rir quando as pessoas dizem que não se importam com a opinião alheia. Compreensível quando um adolescente diz isso, mas quando é um adulto? Vira chacota. Todos nós nos preocupamos em ser aceitos, vistos, reconhecidos. Nos preocupamos em passar uma imagem para os outros.
Essa coisa toda de "se importar com o que os outros vão pensar" veio de chofre para mim logo após a maternidade. Não consigo mais fazer combinações explosivas no meu vestuário, pois me importo com cada olhadela humana - Mesmo sabendo que não são eles que pagam as minhas contas. E há tempos penso 5x antes de pintar as unhas de azul-céu. Porque se não houvesse os olhos reprovadores, julgando seu caráter pela escolha da cor de um mísero esmalte, eu estaria agora mesmo com os dedos dos pés verdes. O que causaria frisson até mesmo na manicure, que diria assombrada: - Tem certeza? Posso perguntar?
Como todo mortal, sou julgada intensamente pela minha aparência. As pessoas acham que porque uso meias roxas, por exemplo, sou porra-lôca. Nunca. Sou do tipo que não usa drogas, não faz de conta que trabalha e mal sabe enganar alguém. Mas não, só porque eu pus piercings na boca, as pessoas achavam que eu era mau-caráter. Sim, me rendi, cansei de ser olhada com reprovação, por isso tirei os dois furos na boca para sempre e os sinais que ficaram viraram duas charmosas pintas artificiais. Tá, o piercing discreto no nariz vai permanecer, afinal a população brasileira resolveu que é comum.
Essa discussão não se limita apenas a aparência, muito embora eu tenha focado o texto estritamente nisso. Mas fazemos faculdades, continuamos certos namoros fracassados, escolhemos outros caminhos apenas para agradar alguém ou alguns... Será que fazemos alguma coisa APENAS para a nossa satisfação pessoal ou dentro da SATISFAÇÃO PESSOAL também inclui satisfazer a aprovação alheia?
Leia também:
[x] Ai que tortura!

Nenhum comentário:
Postar um comentário